Escolhas !

Há sim, uma difícil escolha;
Não é entre o bem e o mal
Ou perdão e ódio
Não é uma bifurcação antagônica
Não é seguir em frente ou buscar vingança
A escolha mais difícil que há
É quando temos que escolher entre semelhantes
Entre caminhos que se seguem
Espirais paralelos
Com horas côncavas
E dias convexos

Escolha !
Entre o amor e o amor
Entre o amor e o amor
Entre o amor e o amor
E o amor
E o amor…

Qual amor abandonado nos atirará dormentes ?
Qual amor engavetado não nos moerá por dentro?
Qual amor se voltará contra nós?
Qual o amor?
Qual o amor ?
Qual amor, amar?

Adriano Chastel.

Não é sangue, é moral.

Meus tais parentes de sangue
Apoiadores do genocida
Ou seguros sobre o muro
Tentando provar que, ou era 6,
Ou meia dúzia
Que dúvida !!!!

Arrependidos,
Se dizem enganados
Querem caminhar ao meu lado
Aviso:
No chão que eu piso
Não dá pé para indecisos
Nas curvas que minha vida trilha
Não há vão para minúsculos fascistas.

Arrependimento
Não traz centenas de milhares
Que partiram por 1 dólar a mais na vacina

Se dizer “enganado”
Não ajuda o pai que chora escondido
Ao ver a cria que afina sem arroz no prato

A “difícil escolha”
À mãe que enterrou seus filhos, não consola
Deixou uma geração de órfãos , País a fora
Embora só haja até hoje,
uma boa opção, meu bom cidadão.

E tem aqueles que se dizem de cristo
Que prezam pela tradicional família
Que comem hóstias ou estudam a bíblia, aos domingos.

Há vida na hipocrisia?

Meus irmãos, na mesma teologia fomos criados
Aquela que liberta, e que faz acolhida
Hoje nos mesmos terreiros sagrados
Somos benzidos
Em qual desses espaços santos
Com a morte foram vocês catequizados ?
Eu em nenhum,
E se estiver mentindo
Que me corrija Exu ou Xangô ou Ogum.

Nosso pai foi grevista
Abraçou os seus, no movimento paredista
Não se vendeu, nem foi pelego, ou capacho
Hoje com toda certeza é tido, comunista
De uma coisa tenho certeza
Nunca foi fascista, genocida, armamentista ou qualquer um dessa gente sem valor

Arrependidos!
O exemplo da escolha única e certa
Dividiu com vocês a ceia de domingo
É homem de Cristo
De coração puro
Deveria ser para vocês, tudo o que é justo !
Mas o voto de vocês, para ele e para o povo foi muito mais que um insulto
O voto é a morte, a fome e o luto.

( O perdão será divino, se o divino existir. Eu sigo como sempre segui )

Adriano Chastel.

Andrajos livres

As fardas não me cabem
Elas marcham ornadas de pré- juízos
estampadas de sentenças
Urdidas de violência gratuita
Tingidas de opressão e vilania
Capachas da burguesia e do poder.

Oprimem os que passam fome
E os que produzem os cobres
Matam sonhos que ainda esperavam nascer
Apagam memórias
Enterram verdades.

Cantam hinos hostis
Bradam seus gritos dementes
Se consideram a elite da tropa
São jagunços mal pagos e mal nutridos
Capitães do mato do capital e dos figurões do estado.

Eu prefiro a nudez das palavras sinceras
Eu prefiro a casaca remendada de poesias
Eu prefiro os trajes do loucos
E andar com malditos
Eu prefiro o fardo de ser pensante e livre !!

Adriano Chastel

#antifascista

Há caminhos

Tem um sonho alí, caído
Parece perdido
Talvez um sonho de alguém que
Caiu ?
Foi roubado e depois atirado, alí?
O sonho só tem valor para quem o sonha
Sonho surrupiado perde a cor, o viço, o timbre e o amor

Naquele vão tem uma esperança
Está quebrada, encardida, surrada
Tem de desistência, um leve cheiro
Tem no couro as marcas da resistência
Segue em frente
Afinal, esperança, não sai de ré.
Mas vai de vão em vão

Tem naquela poça um resto de vida
Talvez esse resto seja de alguém que caiu
Talvez fora de alguém saqueada
Talvez alguém o tenha jogado
Alguém que desistiu
Alguém que hoje só sobrevive

Por aí vai a poesia catando restos rotos, sonhos tortos, esperanças endurecidas, pequenos amores diários esquecidos, promessas pálidas e palavras perdidas em gavetas antigas
Enfim, todas essas “mazelas” cotidianas.

Vai amarrando, tramando, tecendo, cozendo
Vai criando um mundo de quinquilharias
Que para almas sofridas
Tem cheiro de café fresco
E aparência de recomeço sem nunca ter terminado.

Adriano Chastel.

Adriano Chastel.

De lágrimas e sangue.

Sou um ser que sangra
Nos recortes da pele de outra pessoa
Minhas lágrimas correm soterradas
De tristeza e raiva
Tenho uma sede imensa de vingança
Sede que me seca os ossos
Sede que de minh’alma racha o chão
Quero arrastar o mau no asfalto
Quero queimá-lo com as palmas de minhas mãos
Me deserdo de qualquer justiça, humana ou divina ( no meu coração deus é uma palavra extinta)
Assim que curar as feridas da pele por onde sangro e choro
Vou beber do fel e saciar essa sede
Que assim seja, por todos os anjos caídos, amém.

Depois de 7 de setembro.

Depois de 7 de setembro.

A besta roeu as unhas
A tal fera da selva que urrava, piou
O quebra tudo , quebrou a cara
Deixou milhões mudos
Deixou milhares incrédulos
Cavou a última pá de terra do seu túmulo
Agonizante tombará no próximo pleito.
Porém os seus tratadores
Os sonhadores do Estado de exceção de direito
A burguesia tupiniquim-euro-norte americana
O grande capitalista rapineiro
Já estão gestando o próximo a já ir gritando
O próximo homem messiânico
A criar o caos, anticomunista
O novo líder das milícias
E dos trouxas fascistas vestidos de polícia.
Ainda não é a vitória
Pois ainda a escória ao sol caminha
Mesmo sem “arminhas” desejam mortes
Não será vitória:
Enquanto a fome estiver na mesa, na escola, no ônibus, no trem
Enquanto injustiça mortal tiver endereço, cor, gêneros e um enredo de segurança nacional
Enquanto o trabalho for motivo de doenças, miséria, desespero e morte.
Adiemos nosso carnaval
Nesse país marginal ainda há um inverno infernal.

Adriano Chastel.

Palavras alvejadas

Palavras alvejadas ao meio dia
A palavra preta
A palavra pobre
Alvejantes crimes que caem como chuva fina
A palavra – verbo, mulher
Não precisa do meio dia
Nem das palavras, pobre e preta
A palavra mulher é batida e abatida com pedras e outros utensílios do dia a dia
Mulheres caem como chuva fina.

Que as palavras simples da gente do povo
Não esperem das palavras de fardas e togas, com títulos e gravatas
Auxílio ou justiça
Ao povo por enquanto só cabem verbos
Chorar e sofrer
Lamentar e perder
Mas caberá às palavras simples do povo
Julgar as fardas, as togas, as gravatas e os títulos
E todas as palavras que Alvejam a gente
As simples palavras da gente do povo
Cairão como chuva
Não terão fineza
Seremos enchente!

Clã sem medo

Andamos vestidos de medos
Essa tessitura de fomes, desemprego, desocupação, humilhagens, preconceitos
Urdidura que cobre nossos sonhos e nossos corações sufoca

Mas um velho homem , um homem velho de barba longa e olhos espertos
Desafiou o medo

Formou seu clã
Gente de fibra
Que aprende enquanto ensina
Constrói sabiência coletiva
Que cativa com letras do dia a dia

Homens e mulheres que se sabem, não temem
Homens e mulheres com letras produzem espadas
Homens e mulheres sabedores são temidos pelos sistema
Combatem as injustiças

Oh velho homem que só agora conheço
Cresço com as mãos dos seus
Aqueço a forja
Fundo predicados, verbos imperfeitos, conjunções e advérbios
Vou moldar espadas-versos
Vamos rasgar esses medos
Correr nus e livros, livres e textos !
O algoz é pequeno quando sabemos !

Adriano Chastel.

Sobre pão

Os jornais pintam
Os que deixaram de comer pizza
O dono de três restaurantes sem trocar de carro
Família sem sua viagem de avião anual pagas em 12 vezes no cartão
Todos empobrecidos
Com cores tristes
Sobreviventes da crise pandêmica .

Por quais ruas caminha o jornalista ?
Quem não come pizza, ainda come pão !
Quem anda no mesmo carro, ainda compra pão !
Quem não viaja de avião, no tal cartão, à vista , paga o queijo, o presunto e o pão.

Quem preparou a pizza, ainda come pão ?
Quem produziu o carro , ainda compra pão?
Quem aparafusou a asa, o pão do dia ainda compra ?
Será que quem prepara as quatro da matina o nosso pão diário:
Algum dia pisou na pizzaria?
Tem será, carteira de motorista?
Já foi ver o avião descer na pista ?

Momentânea é a tal pandêmia
Alongada por negacionistas desvairados
Já a fome diária só não é eterna
Pois a vida finda
Até distintas , na crise , são as cores
Quem sobrevive
No lugar da pizza ,tem brioches.

#forabolsonarogenocida

De garras e de pétalas

Percevejos de lata e lodo emergem desse eclipse
Resquício de uma noite estanhada
Com um céu frio, duro e desestrelado
Insetos semi mortos, escória enfumada
A desfilar para ratos de patente e gravata
A desafiar a primavera crescente.

Conclamo as abelhas e formigas
As armadeiras e manduruvas
Os caracóis e os caramujos
Borboletas e mariposas
É hora de dessombrear o sol
É hora de alvorar as flores

Para os ratos, animais de pouca inteligência e muita covardia
Que venham jaguatiricas, suçuaranas e guarás
E muitos bugios, pregos e aranhas
É preciso mostrar as garras
Mas também a alegria.

Para as ratazanas de esgoto
Essas sim, de sombras e fel
Odeiam os céus e os escrúpulos
A Harpia, a Pintada, a Negra
A Jibóia, o Caiman, o Carcará e as Curicacas.

Tudo limpo ?
Vamos empinar arco-íris
Vamos seguir floreando
Vamos, sem descuidar, Vamos !

#forabolsonaro